declaração de voto


Em Manuel Vicente é a liberdade e a possibilidade que ordenam o discurso. A ordem contingente do mundo, das coisas, é pretexto e motivo para a descoberta do próprio mundo. A liberdade e o uso da liberdade é a inclusão da contingência na palavra a na acção. Dela extrair sentidos, ou não, e em consequência da responsabilidade da liberdade, produzir novos significados para o mundo e para a existência.
É por isto que a arquitectura é para Manuel Vicente um acto de produção cultural. Não mera junção, justaposição, sobreposição de Dec. Lei, regras, planos, técnicas, pensamentos. Será tudo isto, incorporado a priori no que é um pensamento arquitectónico, feito de arquitectura, feito de amor às coisas terrenas, profanas, numa tentativa indizível de alcançar o sagrado. O deus que se esconde nas pequenas coisas. Numa luz inclinada, numa parede pintada, numa caixilharia de alumínio anodizado, que, pela manipulação, a podemos tornar um pouco mais que uma caixilharia de alumínio anodizado igual às outras todas da Segunda Circular.
É nessa liberdade, de que são inclusos o riso, a ironia, a irrisão, que aguça a nossa percepção de nós mesmos e nos situa no sítio das coisas do mundo. E em que a arquitectura é quase uma ontologia de existência.

Colaborei com Manuel Vicente durante um ano. Foi a época mais marcante da minha formação. Numa espécie de complexo de Édipo, ainda hoje, a cada linha, cada folha de papel, suspeito que resida alguma ansiedade de lhe fazer jus. De, pela arquitectura, chegar a poder ser tão homem quanto está ao nosso alcance ser.
Voto Manuel Vicente.


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  1. patsp 19.2.08

    édipo? a sério? não digas... ninguém tinha dado por isso!! ;-)

     
  2. joão amaro correia 20.2.08

    que má!

     
  3. Lourenço Cordeiro 20.2.08

    Já viste o boletim de candidatura? Tenho de scanar aquele desenho e postá-lo.

     
  4. joão amaro correia 20.2.08

    já sim senhor.
    mas o que mais de manuel vicente há naquele flayer é a sentença: melhore-se a qualidade da "maioria", não nos preocupemos com as "minorias". bingo.

     
  5. Anonymous 22.2.08

    MV, MV... escusavas de te expor ao ridículo. É o desemprego.
    Enquanto eras Vice entravam canetas e garrafas de vinho, agora precisas de uma reforma dourada.

    Desculpem o desabafo no blog errado, mas não quero manchar a campanha do dito.

    As minhas desculpas.

     
  6. joão amaro correia 23.2.08

    caro anónimo,
    e quem se expõe ao ridículo? MV ou este humilde blogger?
    "ridículo" será talvez opinar atrás da cortina do anomimato.
    de resto, o que importa é que haja de facto um debate esclarecedor sobre a ordem e os actos próprios da profissão, e não me parece que ou os "insiders" do costume, na lista Rodeia ou a caravana do avental, da lista Conceição, tenham as mãos muito limpas para o fazer.


    desculpas aceites, mas preferia escrevesse em seu nome.

     
  7. Anonymous 25.2.08

    Abaixo os esclavagistas!!!
    Abaixo os caciques!!!
    Abaixo os Vicentistas!!!
    Abaixo a Lista C!!!

    Viva o Voto em Branco!!!

     
  8. joão amaro correia 25.2.08

    presumo que "vivam" os anónimos?

     
  9. Anonymous 26.2.08

    http://babellogos.blogspot.com/2008/02/manuel-vicente-na-ordem-1.html